sábado, abril 23, 2005

Zadoque para quem gosta de livros.

Zadoque é o nome artístico de Antonio Carlos Fernandes, e que foi adotado em 1998. A escolha desse nome nada tem a ver com a Comunidade Zadoque, uma vez que o autor, na ocasião, não teve conhecimento acerca dessa comunidade, seja na Internet ou fora dela.

Assim é o cartão de visitas deste ótimo site sobre livros e livros e livros e correlatos imediatos. O fato de nosso personagem Zadoque ter uma postura acadêmica e evangélica passa quase despercebida, afinal, isso é uma confissão guardda a quem quer usar o espaço vendido para publicar seus trabalhos. No mais, um guia bem completo para leitores de papel e de silício.
Bonito, organizado, fácil e agora, mais rápido. Para quem quiser o original em papel, inspiração do autor, ele conta os segredos também.



As divisões do site convidam a horas de pesquisa:

Em Bibliotecas do mundo uma passagem demorada por bibliotecas online de institutos portentosos. Alguns bugs de navegação são possíveis, não se desespere. Só não está lá o Projeto Guttemberg, mas tem uma Biblioteca Digital de obras Raras.

O CATÁLOGOS DE LIVROS faz negócio com você. Compra e venda de livros, muito aquém do comércio Nobles & Barnes, sem ser uma pérola para alfarrabistas, porém.

Coleções variadas traz algumas preciosidades em coleções muito sofisticadas. Para quem tem gosto de euro no bolso.

Está perdido? Volte ao prumo em qualquer um dos Cybercafés do mundo.

Alerta !! Editoras selecionadas podem não ser tão bem selecionadas pois escondem intenções nebulosas de seus editores. Um bom desempenho no mercado, aparentemente, é uma fachada de um pensamento retrógrado e reacionário. Este é o exemplo da Alfa- Omega. Escritor ou candidato à: previna-se de usurpadores letrados.

Já as Livrarias selecionadas compilam uma lista mais amigável, com lugares interessantes e com bons negócios à vista. Destaque para a Disal.

No mundo de hoje onde achar Notícias do mundo ? Certamente pesquisando portais e grandes agências de notícias. A moeda corrente tem peso de ouro, e a mina não está no Zadoque, mas a trilha é boa.

Pronto, este é o cerne deste site: Sebos da Grande S. Paulo . Encrustrado no menu lateral, ele salta aos olhos com um ar muito provocativo. E é bastante ousado, com seu guia sebo por sebo de várias regiões da cidade e outras do Brasil. Bem completo, com boas dicas e horas a fio de pesquisa.



Para ver com seus próprios olhos e pernas, visite:

Zadoque

domingo, abril 17, 2005


Eu, Presto.

Me chamaram aqui para dar meu depoimento também, em conformidade com o mais recente exemplo de amigos meus que apareceram numa revista de amenidades que sai todo domingo, vinculada a um grande jornal paulistano. Como nunca tive voz antes, até que esta experiência pode ser interessante. Precisamos ouvir a nós mesmos de vez em quando.
Como meu amigo Tadeu, o siamês que cuida do Aguinaldo Silva, eu também cuido de um ente humano. Seu nome é Thomas, o português de silício. Como ele ainda é muito jovem, vive com outros iguais a ele. Um dia talvez, viva com uma versão ao seu avesso, no caso, uma Thomasilda, ou uma mulher, no bestiário humano. Apenas um apontamento: no nosso dicionário, de animais irracionais, uma besta é uma criatura de qualquer outra espécie que é excessivamente racional. Já conheci a Dani, a pequena grande mulher que conquistou seu coração uma vez. Eu sinto falta dela, e tenho certeza que ela também sente saudades de mim.

Na linguagem de gajo do Thomas eu sou um puto, um carinho que ele me dá por eu ser menor que ele. Ele também me pega de uns jeitos estranhos, me aperta e pode até gritar comigo, um outro carinho que ele me dá. Eu não ligo, sei quem manda em quem. Como diz o Tadeu em relação ao Aguinaldo,

nossa proximidade física também é um problema. Gostamos de tocá-los, mas detestamos que ele nos toquem.Os humanos são grandes, e nós nos sentimos melhores se os virmos apenas de uma certa perspectiva. Qualquer mudança de ponto de vista nos afeta. Eles não entendem, e às vezes precisamos reagir com autoridade, e isso inclui até o uso de dentes e garras.


Eu tenho isso bem resolvido na minha vida. Não sou arisco, e deixo fazerem o que quiserem comigo. Claro que também faço o que quero. Dormir nas cadeiras estofadas da sala de jantar é entrar em alfa, e ninguém tenta me tirar de lá, aprenderam a me respeitar. Quando quero distrair meu paladar, me sirvo à vontade das carnes deliciosas que o Walter, que mora no quarto da frente, prepara para os seus churrascos. Como meu amigo Oliver José, o siamês do Luis Rufatto, tenho que ouvir que estou fazendo uma bobagem.Também não entendo, amigo Oliver, como eles podem classificar isso de bobagem.

Esse Walter é um cara estourado, mas eu sei que ele tem um coração de ouro. Eu gosto dele e só meu fiel amigo Tadeu pode explicar isso:

(...) até que sabe lidar bem com a solidão e a tristeza que sempre o acompanha. Durante algum tempo, viveu à procura de companhia, ainda sem saber que era eu quem estava destinado a lhe dar isso, e foi quase sempre infeliz. Um dia desistiu e mudou; tornou-se mais maduro, mais confiante. E agora, quando sai de casa, mesmo que demore, já me preocupo menos com ele.


Esse sentimento eu já compartilhava com outra mulher que passou por aqui, uma Walteriana por excelência, que tentava entender o porquê de eu ser um gato. Acostumada com cachorros, ela que correu atrás de mim para tirar todas essas fotos na sua maquininha digital numa ansiedade só em descobrir os meus mistérios. Na continuação da sua pesquisa, ela me ofereceu este espaço cyber para eu me explicar um pouco. Além de ter inveja dos cachorros, parece ter inveja dos gatos também. Quer ousar a irracionalidade, mas cá entre nós, vai procurar o que fazer na vida, heim.

Além do Walter, tem o Camilo, que mora no quarto de portas de lavanderia. Ele tem uns olhos azuis fixos, parece um felino. Eu o entendo mais facilmente por causa disso. Mas sou muito mais ágil, obviamente. Nunca vi nenhuma Camila, ou se vi, não me lembro, não presta ficar vigiando a vida dos outros. Mas sei que ela um dia vai aparecer e roubar o coração capixaba dele. Ele é um moço de família, muito sério e correto. Já sabe lavar a louça e varrer o chão, está aprendendo a cozinhar agora. Um pedaço de mau caminho engatado no caminho do altar, sorte da tal da Camila que o encontrar.

O meu dia a dia é muito tranqüilo, as noites é que são agitadas. Mas sigo meu dito PCC
(provedor-de colo-e -carinho), como diz a divertida da Minolda, a TL do Ricardo Bonalume Neto. O Thomas e seus comparsas nunca vão para cama cedo, e cedo para eles é três da manhã. Muitas vezes chego das minhas atividades esse horário e ainda posso aproveitar esse tempo prazeroso ao lado deles. Eu os sinto o tempo todo, como o Tadeu faz com o Aguinaldo, mesmo que eu esteja fora. É meu sétimo sentido em sua melhor forma. Por isso não preciso dar nenhuma satisfação de onde fui, com quem, por quê, como. Isso é a verdadeira liberdade. Isso é vida de gato, cada um com suas regras, e todos em harmonia. Sinceramente, acho que Platão invejaria essa República. Aqui, a dialética é única e a mitologia é apenas uma atividade noturna.

sexta-feira, abril 15, 2005

O mapa da mina para ratos de biblioteca e outros animais






Detalhe acima: o Google está com um logo novo que é um link para o tema ilustrado. Nada melhor do que nosso comparsa Leonardo da Vinci para nos dar o prazer de uma viagem por 2. 850.000 sites diferentes sobre os mais enlouquecidos assuntos relacionados ao insuperável artista florentino.

terça-feira, abril 12, 2005

A verdade é plural para quem não vê os fatos



Verdade: conformidade com o real; exatidão; realidade; franqueza, sinceridade; coisa verdadeira ou certa; representação fiel de alguma coisa da natureza; caráter, cunho.

Plural: diz-se do número gramatical que indica mais de um; flexão nominal ou verbal que indica referência a mais de uma pessoa ou coisa; plural de modéstia.

Fato: coisa ou ação feita: sucesso, caso, acontecimento, feito; aquilo que realmente existe, que é real.

Assim diz o Aurélio, intimado aqui a dar mais luz a essa sentença tão covarde : A verdade é plural.

A verdade é imaculada, soberana e intocável. E ela existe sim, ao contrário do que alguns pensam. Diluí-la em interpretações é fugir ao debate. Senão, de que adiantaria documentos, recibos, honra e a ciência? Saber reconhecer os fatos e a partir deles enxergar a verdade não deveria ser privilégio de detetives, mas de todo cidadão.

O historiador não deveria abster-se do debate nunca. Investigar o passado e o presente não é um gosto pessoal. A história é escrita, sim, por vários pontos de vista, muitas vezes pelo dos vencedores, naturalmente, mas os fatos não se submetem ao capricho de ninguém. Desconhecê-los é um erro imperdoável.

O que revela a verdade é o fato, a ação feita, o que se concretizou a olhos vistos. Negá-la é uma leviandade. Uma profissional de arte-educação empenhada no desenvolvimento cultural e na memória de nosso país engana-se profundamente ao crer que a verdade tem várias facetas. E proferir isso em sala de aula repetidas vezes é auto – incriminatório. A diversidade de opiniões e abordagens, estas sim, são e devem ser plurais. Mas nunca a verdade.




Emanuel Araújo pede demissão da Secretaria da Cultura: estratégia política ou melindre artístico?

Sabe-se que o Prefeito Serra quis ampliar a área de lazer do Parque Ibirapuera, em notícia de sábado no jornal Folha de São Paulo. Para tanto, tinha em mente remover a Prodam e o Edif e ocupar seus edifícios com uma ampliação do MAM e um centro cultural, respectivamente. Quais são suas reais motivações não é está claro, mas o sangue dolarizado que corre nas veias no MAM e os dividendos políticos que um suposto centro como uma Universidade Aberta do Meio Ambiente e da Cultura da Paz traria dão boas dicas. Aliás, quanto mais pomposo o nome de um centro cultural, maior pode ser a ave de rapina que ele vai alimentar.

O Secretário Emanuel Araújo pediu demissão ontem acusando péssimas condições de trabalho e discordância das propostas do Prefeito de remover obras do MAM para a Prodam e contra a proposta de outros museus, como o Museu da Criança na área da Cracolândia em São Paulo, e o Museu do Futebol. Araújo, renomado administrador na última fase da recuperação da Pinacoteca, já tinha trocado farpas com a Secretária Estadual de Cultura, Cláudia Costin, por sua vez, também uma sagaz administradora. Qualquer mentecapto sabe que a política cultural dominante no país é isso mesmo: dominante. Para reverter essa impropriedade mental, muita, muita política e jogo de cintura. O Secretário Emanuel Araújo era a pessoa exata para trazer mudanças, promover novas condutas e traçar uma trilha condizente com o imperativo caráter estratégico da cultura. Porém, em 100 dias de administração, seu cansaço revelou-se monumental e cá estamos nós, a ver navios. Foi duramente criticado por não ter entendido a proposta do Prefeito, impacientando-se com uma idéia que nem estava no papel.

Um arroubo caprichado ou uma estratégia política para resguardar o Museu Afro- Brasileiro, do qual é fundador e curador?

Boa sorte para Carlos Augusto Calil, substituto de Araújo.






domingo, abril 10, 2005

Acordem! Vocês estão perdendo o curso das coisas!


Camille Paglia

Se experiência de vida pudesse ser passada para nós como se passa uma taça com o mais fino vinho para brindarmos uma ocasião especial, tudo seria muito fácil. Mas, não é isso que acontece. Temos que dar com a cabeça na parede, esmigalhar os miolos, e engolir a burrada para começar tudo de novo, desta vez certo. De maneira semelhante, também não podemos ter razão o tempo todo e o desgaste de uma discussão para que nosso ponto de vista seja reconhecido, deveria ser o último dos recursos. Neste caso, o tempo ainda é o melhor aliado. A alegria em descobrir que outra pessoa tem a mesma opinião sobre um assunto que sempre foi motivo de espinafradas e esporros no passado traz a razão perdida ao presente. E junto a confiança. Muitas vezes, só passar e sofrer uma experiência parecida pode fazer convergir opiniões. Amadurecer com lágrimas, infelizmente, ainda faz parte indissociável daquele processo que por vezes fica em segundo plano: crescer, enxergar a si mesmo e ao outro, sair da repetição de modelos falidos de lógica e de conduta.

Para facilitar esse alcance que vira e mexe nos falta, há boas ajudas dando as caras por aí. Há simples mortais que, numa mesa suja em um bar agradável, podem mais que consertar o país, como supõe nosso fake José de Alencar, o vice-presidente de Lula. (Nosso lendário escritor romântico nunca teria se debruçado sobre o insolvente sob pena de lhe dar prazer eterno). Mas essas mesmas doces criaturas sim, podem fazer mais. Podem consertar pedaços tortos de vida que não se encaixavam na engrenagem. Isso poderia ter ocorido em qualquer lugar da cidade, numa noite comum, apenas com três mulheres. Ou com duas amigas que voltam a se encontrar depois de muitos anos. Ou nos dois casos.

É é para essas criaturas que sabem entender o que ouvem e vêem com lucidez e inteligência que Camille Paglia escreve. A ensaísta americana está de volta com “Break, Blow, Burn”( Editora Pantheon Books). São 43 poemas, de William Blake a Joni Mitchel, que cedem suas cores e odores à análise de Paglia.

A escolha de poemas já vem com uma justificativa bem pop, ao estilo da escritora: “ o poema curto é equivalente à uma canção, que se escuta inteira no rádio, ou a uma pintura, que se pode ver isolada” Não há tempo disponível hoje para os romances, que exigem semanas para serem lidos, sustenta ela, dando como exemplo a ficção anglo-americana atual, muito pobre, e perdendo terreno constantemente para “a vitalidade” do cinema e da TV. Aqui está o único porém de Paglia: essa premissa é muito pobre, não se pode transferir as linguagens de mídias tão diversas, em conteúdos e objetivos, e esperar o mesmo efeito. O que se faz hoje, abundantemente, nesse sentido resulta em algo diferente de sua gênese. Certamente ela foi novamente astuta para angariar atenção, como boa democrata que é, afinal, o melhor está em suas observações críticas, não em suas justificativas.

Paglia é uma humanista moldada em Longino, Sófocles e Ésquilo que sente o vácuo que sua geração não preencheu devido, entre outras coisas, às muitas viagens com drogas. Acusa o que se tem de história hoje sobre os anos 60 de caricato, a revolução artística em curso na época perdeu vozes para a heroína e a cocaína. Mentes brilhantes que se deixaram levar pelo prazer cósmico, numa busca de uma percepção cósmica. “Os indivíduos mais avançados, mais aventurosos, mais prontos a romper com os limites tradicionais” foram também os mais ingênuos em crer que as viagens lisérgicas eram a panacéa. Isso deu espaço, então, para as figuras mais convencionais, mais conformistas assumirem o posto de herdeiros dos anos 60. Para Paglia, isso é uma audácia. Trocando em miúdos, cheirar, beber, fumar todas destrói qualquer brilhantismo, mas isso qualquer idiota sabe.

Como todo mundo sabe que ler é um hábito saudável, mas poucos se engraçam numa página de livro, concentrados e interessados. O que não está na grande rede simplesmente não existe para boa parte da população. A identificação de fontes idôneas, consulta à obras de referência e textos de qualidade nem passa pela cabeça do cyber leitor. Além de viciado, ele se torna crédulo do que vê na tela. Provavelmente tem o mesmo olhar para a tv.

E também sobra para o passado recente de Paglia. Da mesma maneira que colocou lenha na fogueira do feminismo com “Personas Sexuais” ( Cia. Das Letras), agora ela joga uma pá de cal sentenciando o seu esgotamento, pelo menos nos EUA. Defende sua visão de oportunidades iguais para todos, sejam quem forem, ( afinal, já diz a sapiência popular que querer ser igual aos homens é falta de ambição da grossa) e de reconhecimento das diferenças sexuais. Se este reconhecimento vier recheado com respeito, tudo bem.

Mas é no conceito de qualidade que a escritora mira o tempo todo. Sua fala agressiva contra a mediocridade da música, da poesia e das artes em geral é convincente: os artistas são talentosos, mas sem a visão necessária para produzir uma obra que “perdure por gerações”. Diz: “ O jeito de brigar é fazer coisas que durem, querer fazer coisas que durem. E que falem a todo mundo (...) Já é hora de redescobrir a beleza, redescobrir o prazer, coisas que têm que voltar ao centro da arte, se se quer falar de novo ao público não especializado.”

E finaliza: “Quem não aceita isso é gente muito pequena, de imaginação pequena”.

E quem pode retrucar Camille Paglia?

Entrevista de Camille Paglia publicada pelo Caderno Mais de Folha de São Paulo, 10 de abril de 2005.


terça-feira, abril 05, 2005

Mentes Siamesas



M.C. Esher
Bond of Union
1956 Lithograph


É de se estranhar a linha de raciocínio que o jornalista Gilberto Dimeinstein seguiu em sua coluna de domingo na Folha de São Paulo. O paralelo entre o Brasil de Severino Cavalcanti e o do vencedor do BB, o tal do Jean, tem suas linhas muito tortas e divergem diametralmente. Talvez apenas a Câmara e o programa em si possam se encontrar, lá no infinito, caso a primeira continue seu galope certeiro e alcance o segundo.

Dimeinstein frisa a relevância dos atributos do vitorioso, um gay, professor universitário, que leva a vida com certa dificuldade, como justificativas para elegê-lo simbolicamente como a cara do Brasil, lançando o dito “Brasil de Jean”.
Do outro lado, o confronta com o “Brasil de Severino”, o do baixo clero, que puxa o alto clero, e o presidente de lambuja, numa carreata devastadora na vida do cidadão brasileiro.

Se com Severino já era uma realidade querer um país novo, com seu comparsa Jean é uma questão de sobrevivência na selva, com o leão na sua nuca, a sucuri no seu tornozelo e a febre dilacerante da dengue escurecendo seus olhos. Dimeinstein é cruel, e não nos dá opção. É morrer ou morrer.

Mas, morrer pela manipulação da mídia não parece um motivo digno. Ainda por cima por uma manipulação em doses cavalares como essa, cerceando qualquer atitude, voz ou pensamento que consiga juntar os paus para fazer a canoa para fugir dessa floresta maligna de contos de bruxas que existem mesmo.

A clareza do texto que segue abaixo, de Carlos Abdalla de um certo Grupo Educare, sobre o papel de qualquer professor, sopra uma brisa de lucidez. É improvável que atinja quem está à frente da tv consumindo a vida nos moldes do Paleolítico, mas traz alento para quem acredita que professor universitário não tem nada a ver com esse factóide.E nem ele nem nós.






Mestre no afeto




Este artigo é uma crítica. Como toda crítica, deve se propor, antes, a ser uma autocrática. Quando falamos das fraquezas de nossa profissão, é bom que não fiquemos acima dos fatos.
A questão da competência do professor vem desafiando todas as tendências e propostas pedagógicas contemporâneas. Temas transversais, aprendizagem sociointeracionista, propostas com base na construção do conhecimento, erro pedagógico são peças de ficção, se distanciadas das relações de afeto que se interpõem entre todos os membros da comunidade educativa. Colocar a questão da aprendizagem na relação professor/aluno é, no mínimo, simplificar o problema da não-aprendizagem.

O que se vê e que estarrece a nossa visão de educador é que a escola, cada vez mais, finca pé na ilusão da efetividade, da eficiência, do resultado, sem se dar conta de que a figura do professor vem sendo massacrada pela desmotivação, pela falta de atualização, pelo deboche e estresse de um aluno rico de informações soltas e desordenadas, de um aluno que vive num festival de culturas mal assimiladas, fascinado pelos balangandãs culturais globalizados.

Valorizar a conduta do professor é pressuposto de qualquer projeto pedagógico. Valorizar, principalmente, e antes de tudo, a sua natureza humana, a sua pessoa, prestigiando o seu caráter, abrindo-lhe espaço para a franqueza, buscando a capacitação que tenha foco no aspecto cultural de sua formação.
Não basta mais o professor saber literatura - as propostas modernas implicam que ele tenha uma cultura literária. O trabalho de um professor de Física há de se tomar muito mais efetivo se ele tem uma sólida cultura científica. É essa cultura que o aluno espera do professor. É com essa argamassa que o aluno quer construir o conhecimento, aprender. "Duro com duro não faz muro", diz o ditado. Informação por informação, a desornada e assistemática será sempre mais atraente, porque se enriquece na curiosidade

A verdade sempre está à nossa volta: nos cursinhos, para prender a atenção do aluno-cliente, o professor trabalha o afeto; o afeto da contracultura anedótica, o afeto da cultura musical em paródias, o contexto erótico-sensual do adolescente. Sempre vence a contextualização cultural.
O resgate de um professor culto de idéias, de experiências, de informações, de dúvidas, de angústias vai substituir a perda do professor culto de erudição, cheio de personalismo e de verdades imutáveis. A fragilidade da informação moderna se contrapõe a toda forma de inflexibilidade didática.

Alguns leitores, certamente, reagirão ao insólito das idéias aqui expostas. Cultura é afeto? Cultura é aprendizagem? Se o leitor vai ao dicionário, verá que todas as definições de cultura estão intrinsecamente ligadas à emoção, à evocação, a crenças e, por extensão, a valores, à ética, à conduta do grupo. E todos já aceitamos que sem grupo não há aprendizagem.


Uma vez adultos, de que professores nos lembramos? Com que professores aprendemos alguma coisa? Certamente com aqueles que contavam histórias, que nos envolviam com informações insólitas, que dispunham de uma personalidade cheia de afeto, de pequenas emoções, às vezes até pelo contraditório de sua natureza

Esta ação pedagógica com ênfase no elemento cultural já é muito bem-sucedida no jardim e nas primeiras séries do ensino fundamental, onde a aprendizagem, todos sabemos, é muito competente, dentre outras razões, porque toda a comunidade interage no processo, e também porque o compromisso com a informação é colocado em outro plano, com forte valorização no elemento cultural.

A cada dia sentimos que ao homem restará o afeto, a boa convivência, o bom entendimento, sem o que não haverá planeta, não haverá vida. Nesse sentido, as culturas antigas e populares se divertem ante a rigidez das culturas recentes e bem-comportadas.

Penso que as grandes escolas se enganam quando acham que gerentocratas eficazes, cheios de regras de qualidade, vão substituir o lado humano, repito, tão massacrado do professor, ou que o chão da escola possa prescindir de calor humano. Mesmo porque todo o fundamento da qualidade está centrado no lado humano e criativo das pessoas. O resto são ferramentas. As pequenas escolas também se enganam quando entram na corrida da efetividade pela efetividade e no marketing do resultado, abrindo mão de suas relações de afeto. Uma espécie, assim, de distorção dos verdadeiros conceitos de qualidade.

Muito mais que conhecimento e informação, o professor tem de dar de si a compreensão do humano, do humor, da tragédia, da vida, do cotidiano de incertezas da humanidade, pois que tudo que dá dimensão ao homem tem de ser eivado de valores, de crenças e de piedade. O homem bem-sucedido é o homem amável, afetuoso, sociável e flexível. Será cada vez mais assim.

Vale como reflexão olhar as culturas antigas, onde todo mundo é professor - os pais, os tios, os avós permeando afeto em culturas orais complexas e consistentes, cuja aprendizagem povoa a natureza humana para sempre.

sexta-feira, abril 01, 2005

Rossa Nova na urbes









Música de raiz com produção de Zé Rodrix, aquele que ficou com a parte rock do rock rural do trio Sá, Rodrix e Guarabyra. É esta a sentença do trio paulista Rossa Nova que invade a capital neste final de semana. O show acontecerá no Espaço Cultural Santo Agostinho (R. Apeninos, 118, Liberdade, São Paulo, capital) com direito a venda de ingressos pela(Ticket Master por módicos R$ 30,00.



A banda é formada por Xamã na percussão, Bzão,voz e violão de 6 cordas e Juka, voz e violão de 12 cordas, e ancorado no Clube Caiubi, celeiro de novos compositores capitaneado pelo mesmo profícou Zé Rodrix. Com uma proposta no mínimo ambiciosa, a de renovar a música de raiz como a Bossa Nova fez no passado, as músicas disponíveis no site acusam o trabalho de um tanto promissor, porém ainda imaturo. Mesmo assim, vale a pena conferir:


Rossa Nova

Clube Caiubi

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