terça-feira, abril 12, 2005

A verdade é plural para quem não vê os fatos



Verdade: conformidade com o real; exatidão; realidade; franqueza, sinceridade; coisa verdadeira ou certa; representação fiel de alguma coisa da natureza; caráter, cunho.

Plural: diz-se do número gramatical que indica mais de um; flexão nominal ou verbal que indica referência a mais de uma pessoa ou coisa; plural de modéstia.

Fato: coisa ou ação feita: sucesso, caso, acontecimento, feito; aquilo que realmente existe, que é real.

Assim diz o Aurélio, intimado aqui a dar mais luz a essa sentença tão covarde : A verdade é plural.

A verdade é imaculada, soberana e intocável. E ela existe sim, ao contrário do que alguns pensam. Diluí-la em interpretações é fugir ao debate. Senão, de que adiantaria documentos, recibos, honra e a ciência? Saber reconhecer os fatos e a partir deles enxergar a verdade não deveria ser privilégio de detetives, mas de todo cidadão.

O historiador não deveria abster-se do debate nunca. Investigar o passado e o presente não é um gosto pessoal. A história é escrita, sim, por vários pontos de vista, muitas vezes pelo dos vencedores, naturalmente, mas os fatos não se submetem ao capricho de ninguém. Desconhecê-los é um erro imperdoável.

O que revela a verdade é o fato, a ação feita, o que se concretizou a olhos vistos. Negá-la é uma leviandade. Uma profissional de arte-educação empenhada no desenvolvimento cultural e na memória de nosso país engana-se profundamente ao crer que a verdade tem várias facetas. E proferir isso em sala de aula repetidas vezes é auto – incriminatório. A diversidade de opiniões e abordagens, estas sim, são e devem ser plurais. Mas nunca a verdade.




Emanuel Araújo pede demissão da Secretaria da Cultura: estratégia política ou melindre artístico?

Sabe-se que o Prefeito Serra quis ampliar a área de lazer do Parque Ibirapuera, em notícia de sábado no jornal Folha de São Paulo. Para tanto, tinha em mente remover a Prodam e o Edif e ocupar seus edifícios com uma ampliação do MAM e um centro cultural, respectivamente. Quais são suas reais motivações não é está claro, mas o sangue dolarizado que corre nas veias no MAM e os dividendos políticos que um suposto centro como uma Universidade Aberta do Meio Ambiente e da Cultura da Paz traria dão boas dicas. Aliás, quanto mais pomposo o nome de um centro cultural, maior pode ser a ave de rapina que ele vai alimentar.

O Secretário Emanuel Araújo pediu demissão ontem acusando péssimas condições de trabalho e discordância das propostas do Prefeito de remover obras do MAM para a Prodam e contra a proposta de outros museus, como o Museu da Criança na área da Cracolândia em São Paulo, e o Museu do Futebol. Araújo, renomado administrador na última fase da recuperação da Pinacoteca, já tinha trocado farpas com a Secretária Estadual de Cultura, Cláudia Costin, por sua vez, também uma sagaz administradora. Qualquer mentecapto sabe que a política cultural dominante no país é isso mesmo: dominante. Para reverter essa impropriedade mental, muita, muita política e jogo de cintura. O Secretário Emanuel Araújo era a pessoa exata para trazer mudanças, promover novas condutas e traçar uma trilha condizente com o imperativo caráter estratégico da cultura. Porém, em 100 dias de administração, seu cansaço revelou-se monumental e cá estamos nós, a ver navios. Foi duramente criticado por não ter entendido a proposta do Prefeito, impacientando-se com uma idéia que nem estava no papel.

Um arroubo caprichado ou uma estratégia política para resguardar o Museu Afro- Brasileiro, do qual é fundador e curador?

Boa sorte para Carlos Augusto Calil, substituto de Araújo.






Comments: Postar um comentário

<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?