domingo, junho 25, 2006

Sentido horário: Luis Medina, José Godoy, Dan Stulbach e Rodrigo Bueno.
Fotos: Babyblaue para Cronicas do Caos e da Perdição.
Fim de Expediente


É preciso insistir: ainda há vida inteligente no rádio comercial. Em tempos de resistência às webrádios e todo simulacro que o cyberespaço faz do mundo real, a rádio CBN faz trincheira sem dar trégua nem pedir água. Na linha de frente, o programa Fim de Expediente completou 10 edições no último dia 23 de junho e convidou o Deputado Federal Fernando Gabeira (PV) para comemorarem a marca com uma festa merecida em um restaurante em São Paulo.

Fim de Expediente vai ao ar toda sexta às 19h sob o comando do ator Dan Stulbach, que incita seus amigos José Godoy, escritor, Luis Gustavo Medina, economista, e Rodrigo Bueno, dentista a refletirem substancialmente sobre o que passou durante a semana. Este divertido quadrado mágico (não dá para perder a piada do momento) recebe um convidado por programa. Como todos são muito afiados e têm muita liberdade, a mediação de Dan é sempre rápida e precisa. Quando o convidado é fraco e vacila, ele é engolido pela esfinge. A vereadora dogmática Soninha sucumbiu já aos primeiros disparos, por exemplo. Por outro lado, se o convidado for bom, ele dará ritmo à entrevista, e pode provocar alguma polêmica. O psiquiatra Contardo Caligaris, o carismático chef Alex Atala e o corintiano-democrático Casagrande deram show de bola na cozinha da CBN.


Juntou-se aos três o Deputado Fernando Gabeira. Sua militância já é um totem histórico e político, e tanto os apresentadores quanto os ouvintes sorteados para participarem ao vivo, e eu era um deles, deram farta munição para o debate. Bater certo, com humor. Afinal, todos são humanos, apenas demasiado humanos, diria Niezstche. Direto do Rio via ponte aérea, que não era Varig, naturalmente, Gabeira se dispôs a participar francamente, ao contrário do nome sugerido antes do seu , Jô Soares, que recusou o convite por ser o local, segundo Stulbach, muito longe de sua casa.
Ironias à parte, o deputado não se intimidou em responder mais uma vez o que achou da invasão do Congresso pelo MSLT, sabendo-se que já sequestrou o embaixador americano em 1969 quando era da milícia armada. Nem em assumir que rejeita outros cargos que não o de deputado. Entre a apatia e opacidade de Opus Alckmin e a insaciedade de Serra, prefere este último para presidente. Recusaria ser Ministro do Meio Ambiente em um eventual governo Lula- Teletubie ( "de novo, de novo') e acredita que faltam lideranças no mundo. Gabeira tem domínio total da sua fala, conduziu muito bem o fogo cruzado e, aos 64 anos, divertiu-se como um adolescente. Um deleite para quem tem um espírito aguçado e gosta de intervenções cheias de sagacidade e até uma certa poesia. Independente de seus compromissos políticos, Gabeira é uma figura instigante.

E instigado e feliz fica o ouvinte ao fim do programa e, em especial, da festa. Ficou muita coisa para apontar e rememorar. Um profissionalismo caloroso chamuscava em cada gesto e palavra da equipe, tanto do Henrique, o mais gentil e paciente motorista que há, quanto da poderosa mais simples e dedicada que poderia existir, a jornalista Marisa Tavares. Que só com a Sirley, o pessoal das externas, a produção, deram cor, forma e som a um projeto de um ano e meio de Stulbach. E projeto que, por sua vez, só fisga o público por que tem quatro grandes amigos pensando em como ouvir melhor o rádio. Ou, trocando passes, ouvir a si mesmo e ao outro em um mundo tão surdo ao bom debate, ao bom embate e à boa amizade.
Sejam todo ouvidos, leitores caóticos.

Programa Fim de Expediente na rádio CBN - ouça aqui

quinta-feira, junho 22, 2006

Agora é me mata - me mata!









Gol craneado ou gol visceral?

Como se fosse possível cranear um gol..veja você! Mas é isso que o Parreira quer, em cada tática cuidadosamente estudada.
Mas foi preciso o Brasil meter uns quatro gols viscerais no Japão para ir para o mata-mata. Que com Parreira, vai ser "me mata - me mata!" ou na ode homérica aos espíritos galhofeiros de Telê Santana, "se mata - se mata!"
A torcida que se cuide, vai ter que ter muita gana.


domingo, junho 18, 2006




Parada na Paulista


Dez anos de Parada Gay em São Paulo, sucesso absoluto com 2 milhões e meio de pessoas festejando a diversidade sexual. Muito de tudo: trans, drags, meninas, meninos, beijos roubados, simulacros de sexo, festa e exasperação. O exagero mesmo é a disputa pela Paulista como a passarela preferida de assuntos antes íntimos, agora sob dever de serem públicos: a opção sexual de cada um, representada pela Parada Gay, e a religião, representada pela Marcha para Jesus.
Como mediador, outro simulacro, este de prefeito: Gilberto Kassab. As partes têm até agosto para apresentarem suas alternativas ao uso do corredor financeiro paulistano. Até lá, a temperatura para as eleições já vai estar bem, bem quente. Não se perca na matemática: o contingente da Parada é um público de 2 milhões e meio de pessoas, com a parcela que vem de fora gastando uma média de R$ 300,00 / dia, em 4 dias. Mesmo com menor publicidade, segurança e dinheiro público, arrebentou as estatísticas mais otimistas.

sábado, junho 17, 2006

Histórias de Retratos: Isidro Iturat





(iii) El Oído

LA SIERPE


Corre mil millas horrísono grito.
Se alza un gran arco de llama que el cielo
hiende y devora. Los montes, allá,

caen, y quedan los valles sepultos.
Pierden su calma los lagos durmientes.
Huyen el ciervo y el lobo y el águila...

¿Qué está pasando que el orbe se quiebra?

Nada, es San Jorge, que mata al dragón.

Estes são versos do poeta espanhol Isidro Iturat Hernández sobre Los Sentidos Corporales e fazem parte da coletânea de poemas El manantial y otros poemas . Com temas como a água, pinturas, o apóstolo Santo André e muitos outros métricas diversas, dodecassílabos e a liberdade poética estudam um pouco da espiritualidade e dos anseios terrenos.Inquieto e dedicado, está confabulando com seus botões, todos eles, um site digno para publicar seus indrisos, versos únicos e originais de 3, 3, 1, 1, linhas.

(v) La Vista

NUNCA EL POETA PODRÁ SUSTRAERSE
A UN HECHIZO DE OJOS DE DAMA


Tienes ojos de gata de angora,
o de puma o pantera o leona,
o de Eva que ofrece su poma.

Sulamita que invita a la alcoba
sabe bien que su rey se desboca
por el iris que en él leve posa.

Sabes tú bien usar la vil pócima

y su dosis exacta: una gota.



Isidro é uma figura interessante, e que inaugura a série “Histórias de Retratos”, com personagens anônimos que circulam pela cidade de São Paulo com paixão. A paixão deste madrilenho com pouco menos de um ano de Brasil é a própria cidade. “Aqui tem de tudo”, diz o poeta. “ Passei 30 anos de férias do meu país, e agora voltei”, conta com muita convicção de ter uma alma tapuia. Seus versos que chamam para si poetas concretamente brazucas como Ferreira Gullar e um aroma de Mário de Andrade e Quintana não negam o deleite da influência.



Para entrar no seu círculo virtuoso de leituras, caro leitor caótico.
Seja bem vindo mais uma vez.



Um beijo para Elis e Isidro.



O
(círculo)


8 círculos dispersos.
7 círculos dispersos.
6 círculos dispersos.

5 círculos dispersos.
4 círculos dispersos.
3 círculos dispersos.

2 círculos dispersos.

O

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