segunda-feira, outubro 16, 2006



Estamos finalmente no ar!
É o Programa Crônicas do Caos, com estréia ( quase) toda sexta, às 20h, pela Rádio Unesp Virtual. Acesse no endereço: http://www.radiovirtual.unesp.br/ e clique em web-rádio e em programas da rádio no menu`a esquerda. O link do programa dará acesso direto também nos horários de reprise ( consulte grade de horários da Rádio Virtual Unesp).

O programa está dividido em quatro blocos, em que o caótico ouvinte se delicia com grandes sacadas e nomes do rádio hoje e conhece um pouco da história radiofônica no Brasil. Além disso, coberturas dos melhores shows de São Paulo, entrevistas e o melhor do jazz, jazz rock, fusion, as mais intrigantes vertentes do rock e RIO ( Rock in Opposition) , em um oferecimento do site Forma Mundi (temporariamente fora do ar por motivos técnicos) Em breve: www.formamundi.com.br.

Participe postando aqui ou mandando a sua mensagem.
O email é: programacronicasdocaos@yahoo.com.

Programa Crônicas do Caos
ouça em: www.radiovirtual.unesp.br
email: programacronicasdocaos@yahoo.com
Produção, roteiro e pesquisa musical: BabyBlaue
Produção Técnica: JP Almeida
Locução: BabyBlaue e JP Almeida

Foto: Estúdio 3 da FAAP, por BabyBlaue

domingo, outubro 15, 2006

O que você faria?


Primeiro, você deveria assistir ao filme O que você faria? (El Método, Espanha, Argentina, Itália, 2005) novamente, de preferência com alguém que converse e debata respeitosamente, inteligentemente e abertamente com você.

Você deveria repassar alguns ótimos momentos, especialmente no começo, quando o filme lembra 12 homens e uma sentença (12 Angry men, 1957, USA), o clássico filme de Sidney Lumet que dá uma aula de retórica e lógica. A apresentação de todos os sete candidatos no filme ítalo-hispano-argentino em volta de uma mesa, a maneira como o vencedor se apresenta à recepcionista, e a atitude cliché dela de desdém levantam suspeitas de que este primeiro postulante à vaga vai ganhar e ela é a psiscóloga que vai escolhê-lo. Poderia se ouvir a narração em off: ' nunca me esqueço quando entrei nesta empresa. Foi a dinâmica mais difícil da minha carreira..." E senta que lá vem a história de Carlos, o bonitão. Sim, não faltam estereótipos no filme, mas plenamente justificados, afinal, o filme é sobretudo uma exploração dos chavões mais comuns da vida corporativa, e por que não estender o conceito: vida profissional.

Você deve atentar para o jeito de Enrique, o fraco, que não se encaixa no grupo desde o começo. Tem sempre um fraco, não é mesmo? Aquele que "inflou" o curriculum. Oras, ele nunca seria o topo ( informante) e ainda foi desmascarado pelo topo himself, numa cena um tanto óbvia de
" confissão de um erro do passado", estratégia manjada para que o interlocutor também o faça.

Já a cena da saída de Ana, rejeitada por ser mulher e por ter mais de 40 anos dá o tom da dificuldade por que passa qualquer mulher, especialmente nesta idade. O que terá seu equivalente na figura do machão ibérico Fernando, derrotado pelo casal Carlos e Nieves.

Já esta última, bastião da mulher moderna, bem-sucedida na carreira e frustrada no amor, sai do prédio como quem sai justamente do abrigo depois de uma guerra nuclear, num simulacro daquele jogo característico de "quem você salvaria" e exaustivamente utilizado em dinâmicas de grupo. Aliás, este jogo do abrigo é uma âncora de neurolinguística em que se baseia o filme. Numa das melhores cenas, Nieves se joga de corpo e alma no jogo, respondendo que o que pode oferecer é gerar os filhos da próxima geração pós-catástrofe. Aparentemente, tem um problema para ter filhos e é justamente isso a que Carlos se apega para destruí-la, embora o faça naturalmente, sem nenhum esforço, algo como ir almoçar num lugar qualquer. Não há nenhuma mudança na expressão de Carlos quando ele faz isso. E ela perde a vaga, aparentemente por que se deixou destruir com a exposição de que não tem filhos ou vai querer ter filhos, justamente, com Carlos.

Outro grande momento que você deveria observar é quando alguém levanta a hipótese de que nada daquilo existe, nada daquela competição, e portanto é o grupo que faz essa prova de sua própria imaginação. Um tom surreal na concretude dos negócios.

E ainda há um sem-número de análises que podem ser feitas a partir da calculada confrontação da dinâmica em si e o protesto anti-globalização que come solto do lado de fora do prédio, mas os candidatos não podem ver. A maioria precisa ver para crer, já que os ruídos e a turbulência por que passa a cidade não os convence da possível inadequação do sistema ao qual estão querendo servir.

Mesmo sendo previsível, algo inverossímel, o filme levanta questões sempre pertientes ao mundo corporativo, como por exemplo:

A mulher deve abanadonar a carreira e ter filhos?
A mulher deve se submeter à pressão e ao assédio sexual para usá-los a seu favor, como faz Nieves brilhantemente?
O que significa exatamente lealdade à empresa?
Como se define um lider?
Sindicalista e empresário não se bicam?
E os flertes, são naturais?
Qual a ética de uma dinâmica de grupo como essa representada no filme?
Uma dinâmica de grupo é um instrumento válido para a contratação de pessoal?

Em tempos de alta crise de empregabilidade e desmantelamento de carreiras ... pense bem, caótico leitor: o que você tem feito quanto à essas mudanças?

Um agradecimento muito carinhoso à uma criatura bárbara que me indicou este filme, mais uma grande lição que aprendo com nada mais, nada menos que ... Dra. Priscilla Wacker. Palmas, palmas, palmas para ela !!!! ( Caos é ... piadas internas da vida pessoal dos blogueiros).

Foto: divulgação

sábado, outubro 14, 2006


Dave Holland Quintet

Um dos jovens baixistas que teve o privilégio de gravar com Miles Davis a obra seminal do jazz moderno, Bitches Brew, agora do alto de seus 60 anos, deságua sensibilidade no palco do Auditório Ibirapuera. Acompanhado de Steve Nelson no vibrafone e na marimba e Robin Eubanks no trombone, Dave dá base à perfeição de Nate Smith na bateria e Cris Potter no sax. Foram aplaudidos à exaustão.
Foto: Dave Holland no Auditório Ibirapuera, por BabyBlaue


Uriah Heep vem ao Brasil pela terceira vez


A banda britânica Uriah Heep retornou aos palcos neste último mês de setembro. Em uma tour que passou por Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, Mick Box ( guitarras), Lee Kerslake ( bateria), Phil Lanzon ( teclados), Trevor Bolder ( baixo) e Bernie Shaw ( vocais) trouxeram os clássicos manjados e nenhuma novidade, assumidamente. Na coletiva de imprensa, afirmaram se ater ao rock setentista e rejeitar inovações. Os oito anos que separam esta visita ao Brasil do último trabalho, Sonic Origami, foram gastos em alguma coisa nebulosa que Mick Box, também manager do Uriah Heep, não soube classificar. Nem citou Spellbinder nem os dois volumes de uma antologia inglesa.Para não passar em branco, revelou apenas que ele não seguirá mais na função e um outro nome deve ser anunciado em breve para cuidar dos negócios. Também nos quesitos música brasileira e influências nada de novo no front: em época de YouTube, torrents, blogs com discos inteiros, Soulseek, os cinco ingleses estão a deriva: não souberam mencionar nada além de Carlinhos Brown e para as influências Deep Purple, Led, Gov´n´Mule, e afins.
Para quem viu pela primeira vez, o show foi magnífico.Para quem curte apenas, não decepcionou. Pelo menos naquilo a que se propõem a fazer, são imbatíveis: energia, solos muito agradáveis, performance irretocável e muito, mas muito carisma.


Foto: Bernie Shaw no show de São Paulo, por BabyBlaue.

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