terça-feira, setembro 19, 2006

Cris Campos é uma mineira-brejeira de Itajubá que tem um jeito doce e uma voz de menina. Mas, quando ela começa a cantar, vem um vozeirão que põe o povo descadeirado que só, se perguntando onde é que que a rapariga encontrou tanta força. Seja Fernanda Abreu, seja Ju Valadares, qualquer compositora se multiplica na garganta de Cris Campos. Aliás, desconfia-se que não seja uma garganta, mas uma usina sonora.
Cris tocou neste sábado último, 16 de setembro, no Villagio Café, no bairro boêmio do Bixiga. Tocou? Sim isso mesmo: além de cantar, Cris toca baixo, guitarra e violão, junto com Fred Berlowitz, num rodízio de instrumentos um tanto curioso. Cris ainda não toca bateria: essa ficou por conta de Paulo Pauleira.
Juntos, o trio encheu o minúsculo bar com hits de Ana Carolina, Lenine, Roberto Carlos e até, atendendo a pedidos de manés de plantão, Raul Seixas.
Mas, quem não é tão mané assim, vai assistir Cris pelas noites paulistanas e se esbaldar com a mais nova produção feminina da nossa MPB. E sem pedir, Raul, é óbvio.
Foto: Cris Campos no show do Vilagio Café, em São Paulo, por BabyBlaue.
sexta-feira, setembro 01, 2006
Um vento passou dentro de mim

E eu não tive como segurar....
.....um vento delicioso, afinadíssimo, inspirador, completo, chamado
Boca Livre
O quarteto tocou no Sesc Pompéia no sábado, dia 26 de setembro e domingo, dia 27. O auditório estava lotado nos dois lados do palco de senhouras com seus netos lhes ancorando, ou famílias inteiras com crianças de até 10 anos, o que surpreendeu até mesmo a banda. Receptivo a este fato, David Tigel ( voz e violão) admitiu que " A Casa" foi incluída no bis para fisgar os pequeninos. E tanto deu certo a empreitada que um garotinho, cantado junto com os Boca, parou ao se ouvir fazendo coro em " E era feita com muito esmero" e não resisistiu à curiosidade: " Mãe, o que é esmero?". " Depois eu te explico, filho", foi a resposta da mãe, preocupada em não perder um compasso sequer.
Perguntado sobre a formação do show, sem Fernando Gama nem Cláudio Nucci, Maurício Maestro ( voz, violão, baixo) foi evasivo: " O Boca é uma idéia, não importa quem está na banda". Porém, explicou que Cláudio Nucci foi morar a 3 horas do Rio, onde a banda vive, e isso atrapalhou as gravações e ensaios.
Zé Renato ( voz e violão) , com pinta de galã de dupla de música sertaneja, achou que o show de sábado foi melhor. Com afinação perfeita, porém com improvisos muito pop, a estrela do Boca levantou o público em vários momentos, entre um e outro suspiro das mulheres, naturalmente.
O repertório da banda foi o standard de sucessos como Trenzinho Caipirinha, em um versão de Villa-Lobos que privilegia bastante a letra de Ferreira Gullar; Mistérios, Fazenda, Bicicleta, Panis et Circense, Toada e a magistral Cruzada, é preciso dizer,em mais uma espetacular interpretação do quarteto vocal de ouro da nossa música popular.