segunda-feira, março 14, 2005
Filmes embrionários - Parte I
Há escassez de criatividade na música, na literatura, nas artes, na tv e também no cinema, como todos sabemos. Sempre podemos desconfiar que aquela cena muito bem montada, com uma iluminação impressionantemente bela e um enquadramento curioso já foi feito antes. Em muitos casos estamos certos. Qual não é a felicidade em descobrir esses filmes que deram origem a tudo, pontos embrionários da sétima arte.
Nesta primeira parte há três deles que merecem ser revistos sempre e comparados aos rebentos a que deram luz, câmera e ação anos depois.
O primeiro é Viagem ao centro da Terra (Journey to the center of the earth), história já, por si só, um dos cernes da ficção científica. Jules Verne sempre tem suas histórias transformadas em filme. Neste caso, ele teve a delirante idéia de tecer os mais surpreeendentes episódios pelos quais o cientista e professor Oliver Lidenbrook passou em sua expedição rumo ao centro da Terra, supostamente na Islândia, descobrindo um oceano subterrâneo e animais pré-históricos vivendo sob nossos pés. Isso em 1864. Já o filme data de 1959, dirigido por Henry Levin, e com James Mason na pele do protagonista. Como nunca temos o texto integral de um livro nas telas e dificilmente há uma adaptação satisfatória, nos sobram cenas matrizes de perseguições, construção de trama e desenvolvimento de personagens que seriam copiadas ou revisitadas aos cântaros em filmes deste estilo, culminando com a trilogia de Indiana Jones.
O segundo é dos irmãos Marx com seu hilário Diabo a Quatro, de 1933. Pastelão-mor do cinema, este filme tem a genialidade de Groucho e seus comparsas e difundiu cenas de confusão típicas de comédias para família, largamente exploradas desde a TV em A família Trapo, Trapalhões, Vhaves, passando pelos filmes de Jerry Lewis, Steve Martin, até Leslie Nielson. Um ou outro acrescentou certa inventividade, mesclando mais o pioneirismo de Chaplin, mas o crédito maior deve ser dado aos Irmãos Marx.
E o terceiro, John Ford e seu O Homem que Matou o Fascínora. Falar em cinco minutos deste filme é diminuí-lo ao estigma de faroeste. A chegada do establishment ao oeste, juntou-se à nascente sociedade machista eleitoral que não tolera a violência mas tolera a corrupção e deu início ao poder executivo e ao quarto poder. A iluminação belíssima de Ford e o tratamento dado aos personagens, que se dão ao luxo de não errar nem em postura são a máxima deste clássico. A inteligência de James Stewart é substimada pela força de John Wayne á princípio, quando no final descobrimos que são os dois lados da mesma moeda. "Se um fato torna-se lenda, publique-se a lenda".
to be continued....
JORNADA AO CENTRO DA TERRA
(Journey to the Center of the Earth)
Com: James Mason, Pat Boone, Arlene Dahl, Diane Baker, Thayer David
1959, 130 Minutos, Direção: Henry Levin
Diabo a Quatro
(Duck Soup, EUA, 1933, P&B, 66')
Elenco: Groucho Marx, Chico Marx, Harpo Marx, Zeppo Marx, Margaret Dumont, Raquel Torres, Louis Calhern, Verna Hillie, Leonid Kinskey, Edmund Breese
O Homem Que Matou o Facínora
(The Man Who Shot Liberty Valance, 1962). 123 minutes
Direção: John Ford. Com: James Stewart, John Wayne, Vera Miles, Edmond O'Brien, Lee Marvin, Andy Devine e Ken Murray.
Nesta primeira parte há três deles que merecem ser revistos sempre e comparados aos rebentos a que deram luz, câmera e ação anos depois.
O primeiro é Viagem ao centro da Terra (Journey to the center of the earth), história já, por si só, um dos cernes da ficção científica. Jules Verne sempre tem suas histórias transformadas em filme. Neste caso, ele teve a delirante idéia de tecer os mais surpreeendentes episódios pelos quais o cientista e professor Oliver Lidenbrook passou em sua expedição rumo ao centro da Terra, supostamente na Islândia, descobrindo um oceano subterrâneo e animais pré-históricos vivendo sob nossos pés. Isso em 1864. Já o filme data de 1959, dirigido por Henry Levin, e com James Mason na pele do protagonista. Como nunca temos o texto integral de um livro nas telas e dificilmente há uma adaptação satisfatória, nos sobram cenas matrizes de perseguições, construção de trama e desenvolvimento de personagens que seriam copiadas ou revisitadas aos cântaros em filmes deste estilo, culminando com a trilogia de Indiana Jones.
O segundo é dos irmãos Marx com seu hilário Diabo a Quatro, de 1933. Pastelão-mor do cinema, este filme tem a genialidade de Groucho e seus comparsas e difundiu cenas de confusão típicas de comédias para família, largamente exploradas desde a TV em A família Trapo, Trapalhões, Vhaves, passando pelos filmes de Jerry Lewis, Steve Martin, até Leslie Nielson. Um ou outro acrescentou certa inventividade, mesclando mais o pioneirismo de Chaplin, mas o crédito maior deve ser dado aos Irmãos Marx.
E o terceiro, John Ford e seu O Homem que Matou o Fascínora. Falar em cinco minutos deste filme é diminuí-lo ao estigma de faroeste. A chegada do establishment ao oeste, juntou-se à nascente sociedade machista eleitoral que não tolera a violência mas tolera a corrupção e deu início ao poder executivo e ao quarto poder. A iluminação belíssima de Ford e o tratamento dado aos personagens, que se dão ao luxo de não errar nem em postura são a máxima deste clássico. A inteligência de James Stewart é substimada pela força de John Wayne á princípio, quando no final descobrimos que são os dois lados da mesma moeda. "Se um fato torna-se lenda, publique-se a lenda".
to be continued....
JORNADA AO CENTRO DA TERRA
(Journey to the Center of the Earth)
Com: James Mason, Pat Boone, Arlene Dahl, Diane Baker, Thayer David
1959, 130 Minutos, Direção: Henry Levin
Diabo a Quatro
(Duck Soup, EUA, 1933, P&B, 66')
Elenco: Groucho Marx, Chico Marx, Harpo Marx, Zeppo Marx, Margaret Dumont, Raquel Torres, Louis Calhern, Verna Hillie, Leonid Kinskey, Edmund Breese
O Homem Que Matou o Facínora
(The Man Who Shot Liberty Valance, 1962). 123 minutes
Direção: John Ford. Com: James Stewart, John Wayne, Vera Miles, Edmond O'Brien, Lee Marvin, Andy Devine e Ken Murray.