terça-feira, fevereiro 01, 2005
A vida é importante demais para ser discutida a sério
Salomão Schvartzman
Isso é o que defende o tarimbado jornalista Salomão Schvartzman em sua edição do programa na Rádio Cultura FM Diário da Manhã, o único diariamente necessário, não confunda, e que estréia hoje online. Fonte rica de informação com inteligência e muito bom humor, Diário da Manhã acorda o paulistano pontualmente às 8:00 h com as notícias do dia analisadas por Salomão e seu fiel escudeiro Alfredo Alves, embebidas em músicas ou trechos de obras que acalentam o ritmo da prosa. Também são destaque as entrevistas e crônicas, que impedem o ouvinte de mexer no dial. Generoso, Salomão dá espaço aos ouvinte todas as sextas feiras, lendo emails e comentando as diversas intervenções do público.
Na versão online, o créme de la créme para leituras rápidas e ativação da memória. Apesar de um design bem tradicional, tudo funciona muito bem em um site muito leve. Já há textos bem interessantes nos arquivos, inclusive a entrevista de Raymond Frajmund, sobrevivente de Aushwitz, na comemoração dos 60 anos da libertação pelos russos do mais sangrento campo de extermínio da II Guerra. Entrevista essa que merece ser lida e ouvida, mesmo que um pequeno trecho, e se não é pouco que fez o próprio Salomão chorar ao vivo, traz mais um relato indispensável para refletir sobre a nulidade da guerra.
E por falar em guerra...
O atentado frustrado de Bin Laden
Recebi aqui, de Elizabeth Fontana, mas é um documento mantido em sigilo pela Polícia Federal, de um tom de ironia dessa inteligente ouvinte daqui, do Diário da Manhã. Esses documentos, mantidos em sigilos pela polícia, revelam que a Al Quaeda, organização terrorista de Osama Bin Laden, ordenou a execução de atentado no Brasil. O alvo da ação seria a estátua do Cristo Redentor, localizada no alto do morro do Corcovado, um dos símbolos mais conhecidos do Rio de Janeiro. De acordo com as informações obtidas em Brasília, a ordem de Bin Laden decorreu do ódio que o saudita nutre por festas monumentais, como o carnaval carioca, para ele um símbolo da globalização da alegria. Demolidor de ídolos iconoclastas - como os talibãs, que explodiram estátuas de Buda, no Afeganistão -, ele destacou dois mujahedins, dois seguidores do seu terror para seqüestro e uso de avião que seria lançado contra o Cristo, contra a estátua, a seu ver, símbolo de infiéis cristãos. Agora, Alfredo Alves narra, hora a hora, a frustração dos dois que chegaram ao Brasil para dinamitar o Cristo Redentor. "Os registros da Polícia Federal dão conta de que os dois terroristas chegaram ao Aeroporto Internacional Tom Jobim em 22 de setembro, domingo, às 21h47, no vôo da Air France procedente do Canadá, com escala em Miami. A missão começou a sofrer embaraços já no embarque, quando a bagagem dos muçulmanos foi extraviada, após quase seis horas de peregrinação por diversos guichês, e dificuldades de comunicação em virtude do inglês fortemente marcado por sotaque árabe. Os dois saem do aeroporto, aconselhados por funcionários da Infraero a voltar no dia seguinte com intérprete. A Polícia Federal investiga a possibilidade de eles terem apanhado um táxi pirata, na saída do aeroporto, pois o motorista percebeu que eram estrangeiros e rodou uma hora e meia dando voltas com eles pela cidade até abandoná-los em um lugar ermo na Baixada Fluminense. No trajeto, ele parou o carro e três cúmplices os assaltaram e os espancaram. Eles conseguiram ficar com alguns dólares, que tinham escondido em cintos próprios para transportar dinheiro, e pegaram carona num caminhão que entregava gás. Na segunda-feira, às 07h33, graças ao treinamento de guerrilha que receberam nas cavernas do Afeganistão e nos campos minados da Somália, os dois terroristas conseguem chegar a um hotel em Copacabana, alugam carro e voltam ao aeroporto determinados a seqüestrar logo um avião e jogá-lo bem no meio dos braços abertos do Cristo Redentor. Enfrentam congestionamento monstro por causa de uma manifestação de estudantes e professores em greve e ficam três horas parados na Avenida Brasil, (risos) na altura de Manguinhos, onde seus relógios são roubados em um arrastão. Às 12h30 resolvem ir para o centro da cidade e procuram uma casa de câmbio para trocar o pouco que sobrou dos dólares, recebem notas de R$100,00 falsas, dessas que são feitas grosseiramente a partir de notas de R$1,00. Por fim, às 15h45, chegam ao "Tom Jobim" para seqüestrar um avião. Os pilotos da Varig estão em grave por mais salários e menos horas de trabalho. Os controladores de vôo também pararam, querem equiparação com os pilotos. O único avião na pista é da Vasp, mais está sem combustível. Aeroviários e passageiros estão acantonados na sala de espera e nos corredores do aeroporto, tocando pagode e gritando slogans contra o governo. O batalhão de choque da PM chega batendo em todos, inclusive nos terroristas. Os árabes são conduzidos à delegacia da Polícia Federal no aeroporto, acusados de tráfico de drogas, em face de flagrante forjado pelos policiais, que plantaram papelotes de cocaína no bolso dos dois. Às 18h00, aproveitando o resgate de presos feito por um esquadrão de bandidos do Comando Vermelho, eles conseguem fugir da delegacia em meio à confusão e ao tiroteio. (risos). Eles, então, discutem entre si, começam a ficar em dúvida se destruir o Rio de Janeiro, no fim das contas, é um ato terrorista ou uma obra de caridade. Às 23h30, sujos, doloridos e mortos de fome, decidem comer alguma coisa no restaurante do aeroporto. Pedem sanduíches de churrasco com queijo e limonadas. Só na terça-feira, às 04h35, conseguem se recuperar da intoxicação alimentar de proporções eqüinas, decorrente da ingestão de carne estragada usada nos sanduíches. Eles foram levados para o hospital Miguel Couto, depois de terem esperado três horas para que o socorro chegasse e percorressem diversos hospitais da rede pública até encontrar uma vaga. Domingo, 18h20, os homens de Bin Laden saem do hospital e chegam perto do estádio do Maracanã. O Vasco acabara de perder para o Bangu por 6x0. A torcida cruz-maltina confunde os terroristas com a galera adversária e lhes dá uma surra sem precedentes.Às 19h45, finalmente são deixados em paz, com dores terríveis pelo corpo, em especial na área proctológica. Ao verem uma barraca de venda de bebida nas proximidades, decidem se embriagar uma vez na vida, mesmo que seja pecado. Segunda-feira, às 23h42, os terroristas fogem do Rio escondidos na traseira de um caminhão de eletrodomésticos assaltado, horas depois, na Serra das Araras. Desnorteados, famintos e sem poder andar, eles são levados pela van de uma ONG ligada aos Direitos Humanos, para São Paulo. Viajam deitados de lado. Na capital, perambulam o dia todo à cata de comida e, por volta das 20h00, acabam adormecendo debaixo da marquise de uma loja na rua Aurora, no centro. A Polícia Federal não revelou o hospital onde os dois foram internados em estado grave, depois de espancados quase até à morte por um grupo de mata-mendigos."
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Salomão Schvartzman
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