sábado, fevereiro 12, 2005

O nome dela é Tabajara




Desde 1934 em atividade, a Orquestra Tabajara, a maior big band tupiniquim, continua botando os esqueletos de todas as idades para dançar. Maestro Severino Araújo aportou em São Paulo neste final de semana com seus pupilos, esquentando os corações de todas as idades que rodopiavam pela choperia do Sesc Pompéia. Com sede no Rio, a orquestra comandava a Domingueira Voadora no ano passado, no Circo Voador, reformado, no bairro boêmio da Lapa.




Reportagem do jornal O Globo

A cena se repetiu por aqui: de início atento às primeiras canções da orquestra e à performance do naipe de metais com sua coreografia de escalas e acordes, aos poucos o público vai tomando a pista. O final é sempre apoteótico, com a pista lotada e em êxtase, aplaudindo o Maestro pernambucano de 88 anos. Artrite, artrose, safenas, tumores e anorexia bailam despreocupados sob a regência de jeito octagenário do bravo senhor. Porém, quando aponta seu instrumento, Severino Araújo brilha na clarineta e sola com fôlego e sensibilidade. Este é o único momento em que o tempo pára, em duas horas que passam numa virada de passos swingados.
Porém, o repertório já não é tão cativante como quando causava furor na Rádio Tupi de 1945 a 1955, tocando ao vivo nos áureos tempos do rádio brasileiro. Orlando Silva, Lupicínio Rodrigues e Francisco Alves realmente deixaram um vácuo na história da música e do rádio no país, repetiam-se os comentários de quem curtiu na flauta os proto-anos dourados. Hoje, uma profusão misturada de standards do swing americano, música popular francesa cantada em inglês, fraseados de bebop, rumbas, boleros, um pouco de chorinho, samba de morro e Zeca Pagodinho deixam a vida levar todo bom pé de valsa pelo salão adentro. O crooner Almir bota lenha na ferveção dos garotões e da meninada de 60 e poucos e canta cada vez com mais entusiasmo. Nadiége, sua parceira, solta a voz de Billy Holliday carioca, mas não empolga muito. Os dois trompetistas a postos para o tradicional duelo à frente da orquestra mostram o quão custoso é manter o padrão e os ensaios. A falta de fôlego é visível. Mas tudo é festa, tudo é um grande baile delicioso, quando os problemas desaparecem e os pares se reencontram. Não há nada para se arrepender na vida. Certamente, todos os entusiastas do último baluarte da grande orquestra do Brasil fariam e dançariam tudo de novo.

71 Anos de História

A ORQUESTRA TABAJARA surgiu em 1934 em João Pessoa, PB, graças a um empresário que veio da Holanda para dirigir uma empresa que se instalara na cidade. Em 1937, com a inauguração da Radio Tabajara na mesma cidade, a ORQUESTRA foi contratada para fazer parte de seu elenco. Nesta época Severino Araujo foi convidado para integrar o naipe de sax da JAZZ TABAJARA que já contava com músicos famosos dos quais destacram-se Ximbinho, José Leocadio, Geralso Medeiros, Porfírio Costa, Raimundo Napoleão. Cláudio de Luna Freire, Olegario de Luna Freire (diretor) etc.
Com a morte repentina de seu Luna Freire, Severino Araujo, com apenas 21 anos de idade assume a direção daquela que seria considerada a mais famosa orquestra.popular do Brasil. Cantores famosos como Francisco Alves, Orlando Silva, Déo, Ciro Monteiro e outros, acompanhados pela orquestra que excursionavam pelo nordeste na época ficavam surpresos com a qualidade daqueles músicos tão bem ensaiados. A fama chegou a então capital da República, que era, na época, o centro musical do Brasil. A notícia se espalhou e a fama da orquestra chegou ao Rio de Janeiro, que além de ser a capital da República era o centro musical do Brasil.


A IDA PARA O RIO DE JANEIRO E A ESTRÉIA

Em dezembro de 1944 a ORQUESTRA TABAJARA recebeu da Rádio Tupi o convite para se apresentar no Rio de Janeiro. A estréia aconteceu no dia 20 de janeiro de 1945 e teve grande repercussão no país, pois foi transmitida por toda cadeia "associada" que cobria o Brasil de norte a sul. Sua permanência na Rádio Tupi durou 10 anos.

TRAJETÓRIA

Na trajetória da TABAJARA, encontramos:
10 anos na Radio Tupy
05 anos na Rádio Mayrink Veiga
10 anos na Rádio Nacional
05 anos na TV RIO, onde Severino se destacou com a excelente execução da Abertura do Guarani de Carlos Gomes quando do 1º festival internacional da Canção, apresentado pelo emissora.
EXCURSÃO em 1952 para Paris.(lançamento do algodão brasileiro) pelas mãos de Chataubriand naFesta do Jaques Fath
1955 Carnaval em Montevidéu (45 dias em todo país) –
1961, Buenos Aires (feira internacional)
1989, Lisboa (Casino Estoril)
1990, Portugal (varias cidades)


RECORDES

10 anos na Domingueira Voadora do CIRCO VOADOR, Rio de Janeiro
20 anos animando o baile PARECE QUE FOI HONTEM da cooperativa da Imprensa
06 anos na churrascaria RODA VIVA
08 anos o carnaval de João pessoa e Recife
35 anos na Gravadora CONTINENTAL (gravando mais de 300 discos com sucessos como Paraquedista, Sonoroso, Rapsodia in blue, etc.
22 anos na gravadora CID.(grande sucesso com a série ANOS DOURADOS depois da participação da ORQUESTRA no famoso seriado da Globo.



E esse pernambucano duro na queda

O pai de Severino Araújo era mestre de banda em Limoeiro (PE), e foi quem deu as primeiras noções de música. Ainda criança, adotou a clarineta como instrumento favorito. Na década de 30 mudou-se para João Pessoa, onde foi clarinetista da banda da polícia. Em 1936 escreveu o choro "Espinha da Bacalhau", uma de suas composições mais famosas. Ainda na Paraíba, foi regente da orquestra da Rádio Tabajara, e com alguns integrantes dela partiu para o Rio de Janeiro no final dos anos 30. Apenas em 1945 a Orquestra adotou oficialmente o Rio de Janeiro como sua sede. Inspirada nas big bands norte-americanas, a Orquestra anima bailes, festas e gafieiras desde os anos 40 até hoje, totalizando mais de 13 mil apresentações. Além de atuar em bailes e festas, a Orquestra Tabajara trabalhava em emissoras de rádio. Com grande popularidade, a Orquestra gravou mais de 100 discos de 78 rpm, batendo recordes de longevidade, além de alicerçar o trabalho de cantores como Jamelão, com quem gravou dois discos-tributos a Lupicínio Rodrigues. Durante a existência do Circo Voador, no Rio de Janeiro, a Tabajara era a atração tradicional dos domingos, com a Domingueira Voadora. O repertório é composto tanto de clássicos do jazz e da canção norte-americana quanto de temas da música brasileira. Severino Araújo, que foi aluno de Koellreuter, é autor de várias músicas executadas pela Orquestra, e comemorou seus 80 anos ainda à frente do grupo, regendo e ensaiando.

Saiba mais sobre a Orquestra Tabjara
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