quarta-feira, janeiro 12, 2005
Who are the brain police? Zappa, of course !
( 1940 - 1993)
Paglia ama Zappa. Eu amo Zappa. Nós amamos Zappa.
Acidez, ultraje, insolência, sarcasmo. E muita, muita, lucidez e inteligência. Assim são Frank Zappa e Camille Paglia, americanos do século passado e que têm sobrevida neste graças à liberdade conquistada para se expressarem da maneira que bem entenderem. Isso já é história para Zappa, morto em 1993 , mas Paglia o retomou em 24 de novembro de 2004 em artigo ( leai abaixo) no New York Times Book Review sobre a mais recente biografia do guitarrista, escrita por Barry Miles ( Zappa - A Biografy, sem tradução para o português).
Muito já foi dito sobre Zappa. Uma vida inteira não é suficiente para consumí-lo, devorá-lo e ainda assim ficar satisfeito. Zappa não satisfaz ninguém, ele jorra insaciedade como a mais poderosa droga que vicia à primeira nota. É até bem natural que um vulcão polemizador como Camille Paglia cuspa sua lava sobre Zappa, como a um brinquedo hilário que sempre a fez rir. Suas teorias versam sobre política, religião, história, cultura ocidental e americana, e, claro, sexo, sexo, sexo e sexo. Ela afirma, por exemplo, que por ser do e viver o rock and roll pode ver a realidade do sexo, toda essa luxúria masculina que excita as mulheres e as atraem. Por outro lado, defende que os homens são exilados sexuais, vivem decrépitos pelo mundo, mendigando e negociando sexo, o que as mulheres não deveriam invejar em hipótese alguma.
Colocar no mesmo horizonte Paglia e Zappa é simplesmente agrupar seres da mesma espécie na cadeia alimentar embriagada de mediocridade de hoje.
E sobre o livro, não há nada de novo, segundo o texto de Paglia. Uma liberdade do autor: sendo Miles amigo de Frank, arrisca-se a tirar conclusões sobre o músico. A farta verborragia zappiana para criar nomes é um de seus marcos. Miles identifica isso como um potencial autodestrutivo de Zappa em não se dar crédito. Se nem seus filhos têm nomes convencionais ( a garota, Moon Unit, e o rapaz, Dweezil), por que ele não batizaria obras mais sérias com nomes obscenos ou escatológicos ? Paglia censura Miles em suas críticas em excesso aos instintos absurdos de Zappa. Oras, eles são simplesmente o apeiron de Zappa, na crença filosófica de Anaximandro ( 610-546 a.C ). Essa substância fundamental, indefinível, sem predicados, que o torna dono de si e de sua música, mais do que ninguém ousou conseguir. Uma matéria prima de ser que é pura, clamando esse estado por ser imortal e indestrutível. E sua herança, é inegável, é rica e sólida, resistente ao tempo e às mudanças indefectíveis da vida. Biscoito fino.
Ouça Zappa.