segunda-feira, janeiro 17, 2005

Pinacoteca de São Paulo.
Pronta para os próximos 100 anos?


Neste 2005 a Pinacoteca de São Paulo faz 100 anos. A instituição promete comemorar o ano inteiro, a partir de abril e até setembro de 2006. Não há nada do mundo das grandes celebridades das artes na programação, mas a qualidade não deixará a desejar quem procura relevância em exposições.
A ótima mostra do pensamento científico em Portugal no século XVIII e seus desmembramentos pode ser um petisco mais digerível para o público. Batizada de Laboratório do mundo, idéias e saberes do século XVII, traz muitas máquinas e aparelhos do Museu de Física e do Observatório Astronômico da Universidade de Coimbra. Ainda de Portugal, há peças da Academia das Ciências de Lisboa e representando o braço colonialista no Brasil, a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro participa com mapas e cartas de viagem. A figura do Marquês de Pombal
(1699-1782), expulsando os jesuítas do prédio da Universidade dá o início de como o ideário iluminista habitaria um dos principais centros cultural-científico da Europa.
No novo anexo da Pina, no antigo prédio do DOPS, também no centro, a caçula Estação Pinacoteca abriga Os Manuscritos do Mar Morto, uma exposição para a família e de caráter muito mais religioso que cultural. Destaque para três pergaminhos originais apenas, no meio de muitas reproduções, como reza bem as exposições que vêem para cá; as moedas de prata que circulavam em Israel na época, pela primeira vez sendo expostas, similares as quais Judas recebeu por ter entregue Jesus, e uma ou outra curiosidade.
Mas isso não importa. Desde o nascimento do suntuoso prédio que Ramos de Azevedo imaginou em 1897, a Pina não via a cara do público com tanta freqüência. A bem sucedida reforma levada a cabo pelo governo de Mário Covas foi o ponto alto para restabelecê-la no mapa das artes do Estado e do país. A febre das mega exposições começou ali, com filas kilométricas para cidadãos nunca dantes apreciadores de arte se aventurarem pela magia de formas e volumes de Rodin em 1995. Emanoel Araújo, multifacetado e novo secretário municipal de Cultura de Serra, era o competente diretor da instituição. Ficou por lá de 1992 a 1998 e depois dedicou-se a lançar o Museu Afro-Brasil, no Ibirapuera.
Leia mais sobre o museu mais antigo de São Paulo no texto abaixo do Sampacentro e não deixe de visitá-lo no Parque da Luz.

Pina histórica


Em 1895, Francisco de Paula Ramos de Azevedo assume o comando da construção do Liceu. Angaria cem contos de réis, verba aprovada pela Assembléia Legislativa, e com ela ganha uma área do Parque da Luz.
O edifício da Pinacoteca foi construído de 1897 a 1900, pelo escritório Ramos de Azevedo. O propósito original era ser a sede do Liceu de Artes e Ofícios, uma idéia de Leôncio de Carvalho. Em 1901, o edifício em estilo neo renascentista italiano passou a abrigar também a Pinacoteca do Estado. Em 1905, é inaugurada como sendo o primeiro museu de arte de toda a cidade de São Paulo.
O museu começa a funcionar de fato em 1911 com a Primeira Exposição Brasileira de Belas Artes durante um mês. Entre suas primeiras doações à Pinacoteca em novembro de 1911, estão criações de Pedro Alexandrino, José Ferraz de Almeida Jr. e Benedito Calixto. Peças que até hoje permanecem sendo expostas como parte do acervo da Pinacoteca.
Entre os diretores mais importantes da instituição, estão Luiz Scattolini (1928-1932), Delmiro Gonçalves (que no fim dos anos 60 começa a implantar reformas), Walter Ney (1971) e Fábio Magalhães (1979) e até uma passagem de quatro meses de Tarsila do Amaral como uma espécie de conservadora do museu.
O prédio ficou sendo de propriedade do Liceu até 1921. Em 1930, a Pinacoteca quase chegou a desaparecer, indo para a Rua 11 de Agosto, antiga sede do Diário Oficial. O motivo era o Exército que havia interditado o museu para usar suas instalações como quartel-general durante dois meses. Dois anos depois, a Pinacoteca é novamente ocupada, desta vez, pelos revolucionários de 1932. Em 25 de fevereiro de 1947, volta para a Luz com reabertura solene feita pelo interventor José Carlos de Macedo Soares.
Em 1989, a Faculdade de Belas Artes foi transferida para o Morumbi, desocupando todo o terceiro andar e deixando o prédio apenas para as obras de arte da Pinacoteca.
A partir de 1993 até fevereiro de 1998, foi feita a reforma na Pinacoteca, com gastos de aproximadamente R$ 10 milhões, segundo dados oficiais. O projeto da reforma é de autoria de Paulo Mendes da Rocha, com o qual ganhou o prêmio Mies van der Rohe de arquitetura em junho de 2000.

O diretor, Emanoel Araújo, escultor baiano, assumiu a Pinacoteca em 1992. Seu projeto era reascender a atenção voltada para o Centro. Por isso, durante a reforma do prédio, mudou a entrada, a princípio virada para a Avenida Tiradentes, para ter sua face voltada para a Estação Ferroviária Sorocabana, também chamada de Estação da Luz.
Curiosidades:
A reviravolta da Pinacoteca foi realmente concretizada em 1995 com a abertura da exposição de esculturas de Auguste Rodin (1840-1917), que reuniu 150 mil visitantes em 38 dias. Depois se seguiram outras mostras como Emile Antoine Bourdelle, grupo CoBrA, Nadar e outros, mas nenhuma delas conseguiu chegar perto de tal êxito.

O edifício já acolheu o Ginásio do Estado, várias repartições públicas e um quartel.

Em 1979, é implantado o projeto Destaques do Mês, que expõe uma parte do acervo da Pinacoteca por um tempo determinado, criando uma rotatividade das peças adquiridas pelo museu. Quem quiser pode conhecer essas exposições entrando no site.

Em 1951, a Pinacoteca contava com o espaço de quatro salas. Em 63, cresceu para seis salas e um corredor. Em 77, ganhou o andar térreo e um auditório para cursos. Hoje a coleção se espalha por dez salas mais o espaço da reserva técnica, onde ficam as peças em restauração, catalogação ou fora de exposição.

A Pinacoteca é, na verdade, uma obra inacabada: os tradicionais tijolos expostos não eram para ficar à mostra, mas, com a demora para a finalização da obra, não foi mais possível concluí-la, restando somente a opção de deixar o prédio desta maneira.


Serviço:
Pinacoteca do Estado
Horário: de terça a domingo, das 10h às 17h30
Praça da Luz, 2, tel. 3229-9844
Próximo ao Metrô Luz
Preço: R$ 4 (R$ 2 para estudantes). Grátis aos sábados



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