sábado, janeiro 15, 2005
Goblin em versão revisada
A história é omissão tanto quanto escolher é renunciar. Essa omissão aparece quando notamos falta de créditos em fotos, em cds, em execução de partituras, em citações de outros artistas. Na história do rock progressivo italiano há uma nebulosa confusão, já que um grupo de músicos se revezou em diversas bandas no melhor estilo Canterburry. Aqui algumas reparações na história do Goblin, já dissecada em parte em dias anteriores.
Primeiro, sobre as bandas que lhe deram vida. Foi dito que três bandas estão na raiz do Goblin: Il Retrato di Dorian Gray, Era di Acquario e Rivilazione. Há que acrescentar o Olivier e o Seconda Generazione, numa profusão de trocas de nomes ao gosto do dia.
Bom, voltemos a fita...
Il Retrato di Dorian Gray foi a primeira banda de Cláudio Simonetti e Walter Martino em 1970. No baixo, Massimo Giorgio. O grupo se baseava fortemente em The Nice, mas não gravou nada, apesar de ser popular em Roma. Na hora do adeus, Simonetti e Martino foram para um lado montar o Seconda Generazione e Massimo foi para o outro, e formou o Quella Vechia Locanda.
Com o Seconda, Martino e Simonetti tinham Stefano Cerri no baixo. Não gravaram nada de novo, mas fizeram uma apresentação na TV italiana. Martino e Simonetti, então, formaram o Oliver, recrutaram Fabio Pignatelli e Carlo Bordini. Foram para a Inglaterra ouvir um cantor inglês, Clive, que não fica no grupo, voltam para a Itália e chamam outro vocalista, Tony Tartarini, e assim gravam o que depois seria chamado de Cherry five ( leia abaixo). Já quanto a Cerri, ele passou pelo Crisalide e depois se tornou um importante músico de estúdio.
Ainda há que se citar sobre as bandas Flea e sobre a banda Etna. Flea on the Honey era o primeiro nome da banda, que depois mudou para Flea e posteriormente para Etna. A formação, que pouco mudou, era: Antonio Marangolo, nick Tony (vocais, teclados, flauta, harpa),Carlo Pennisi - Charlie (guitarra, vocais),Elio Volpini - Nigel (baixo, guitarra, vocais) e Agostino Marangolo - Dustin (bateria, percurssão, vocais). Os nomes em inglês partiram da banda e a gravadora Delta, subsidiária da RCA, achou um gancho nessa criatividade para lançar a banda como um grupo inglês em busca do sucesso na Itália, já que todas as faixas eram cantadas em inglês também.
Como Flea on the Honey eles participaram do influente festival Viareggio Pop Festival, em 1971 e gravaram um trabalho homônimo. Como Flea, gravaram Topi o uomini no ano seguinte, bem mais progressivo e mais maduro que o primeiro trabalho e agora assumidamente em italiano. Depois deste cd, Elio Volpini foi para L´Uovo di Colombo.
E finalmente com o nome Etna, a banda volta em 1975, agora destilando um jazz-rock que bebe em Mahavishnu Orchestra. Lançam apenas um trabalho homônimo. E cada um vai para um lado, e é aqui que Agostino Marangolo cai no Goblin, já em sua segunda formação.
Segundo, sobre o Cherry Five. As sementes do Goblin já haviam sido lançadas quando este episódio aconteceu, afinal Masssimo Morante e Claudio Simonetti já estavam juntos buscando seu caminho na música. Voltemos aos criadores do cd intitulado Opera Prima, 1973- RCA, onde a história começa. Eles são o duo Paolo Rustichelli, teclados & Carlo Bordini, bateria. Este duo por sua vez, foi o que restou de uma exigência do empresário que os tinha vinculado à já famigerada gravadora Delta. Como não tinham lançado nada por tão ignóbil grupo fonográfico, apenas gravado demos, foi feita a sugestão de reduzir o quarteto ( Rustichelli e Bordoni mais Pino Belardineli, guitarra e Pasquale Cavallo, baixo) a um duo, nos moldes do duo britânico Hardin & York. O resultado é um trabalho de teclados que cobre a lacuna dos outros instrumentos, mas com poucas partes de um vocal, talvez, como é mencionado pela
Italian Prog por ser de baixa performance. Após o Opera Prima ganhar as lojas, um distinto grupo chamado Oliver contata Bordini. Este grupo mudou o nome para Goblin para gravar com a Cinevox. Era sua primeira formação, com Claudio Simonetti e Massimo Morante sendo os fundadores, que convidaram Fabio Pignatelli para o baixo. Em 1973, Simonetti e Morante tinham viajado até a Inglaterra para ouvir o inglês Clive Artman (ou Clive Heinz, no afã daquela época em se achar em um nome artístico) em uma audição para o posto de vocalista. Clive chegou a gravar algumas faixas, mas logo foi retirado do grupo.Chamaram então Tony Tartarini, que tinha cantado no primeiro e único trabalho do L´Uovo di Colombo em 1973, quando assinava artisticamente como Tony Gionta.
A formação então do Cherry Five em 1974 se definiu como: Claudio Simonetti (keyboards,) Massimo Morante (guitarra), Fabio Pignatelli (baixo),Carlo Bordini (bateria) e Tony Tartarini nos vocais. O nome dado ao grupo por Simonetti já era Goblin, porém o baterista Bordini se recusou a assinar com a Cinevox, alegando que isso prejudicaria sua carreira como músico de estúdio. Ele foi, então substituído por Walter Martino, o cd não foi lançado e a nova formação, também sem Tartarini, se debruçou nos trabalhos de Profondo Rosso. Aqui temos o Oliver mudando para Globin para assinar com a Cinevox o trabalho Profondo Rosso.
Na realidade, o nome Cherry Five não pertence a grupo nenhum. Este trabalho ficou engavetado de 1974, quando foi gravado (e não em 1975 como conta no encarte. Em 1975 ele foi apenas prensado) até janeiro de 1976, quando foi finalmente lançado.E nesta época apenas Tartarini e Bordini foram creditados. Más línguas na biografia da banda insinuam que isso foi feito para não prejudicar a imagem do Goblin. Pelo menos o cd tem a marca de Simonetti, com a faixa Picture of Dorian Gray, uma referência à sua primeira banda.
Nada como dar à história o que somente à ela pertence.
Coming soon: a morte de Enrico Simonetti..
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