domingo, janeiro 09, 2005

Brasil, Enrico Simonetti e Gobiln.

A curiosidade matou o gato. Mas ele sempre morre por uma boa causa. E ainda lhe sobram algumas boas vidas. Abrir um parêntese para falar um pouco sobre Enrico Simonetti, por sua vez, mata essa curiosidade assassina.

Quem tem hoje mais de 60 anos e ia a bailes nos anos 50 e no final da mesma década assistia a TV Excelsior certamente lembra-se dos embalos galantes da orquestra desse italiano de Savona.
Nas palavras de seu filho Cláudio, tecladista do Goblin ( ver post do dia anterior), era um músico, showman, ator, e uma figura muito simpática. Acrescente ao caldo arranjador e band leader.
Enrico nasceu em 1924. Viveu em terras brasilis de 1951 a 1963 com prolífica produção. Além de ter composto a trilha de A carrocinha ( 1955), com Mazzaropi, ter comandado shows musicais na TV excursionado com sua orquestra Samba Big Band pelo Brasil afora, fez muitas trilhas para a Cia. Cinematográfica Maristela , no bairro do Jaçanã, concorrendo com nomes como Claudio Santoro, Guerra Peixe, Souza Lima. A lista vai de
Suzana e o presidente e Presença de Anita (1951), O Comprador de Fazendas ( 1951), Meu destino é pecar ( 1952), Rosa dos Ventos ou cinco canções ( 1955) até A pensão da Dona Estela ( 1956).
Para a Vera Cruz compôs a trilha de Apassionta ( 1952), Veneno ( 1952), Uma pulga na balança, Na senda do Crime, Luz Apagada, Esquina da Ilusão e É proibido beijar (1953) e Floradas na Serra ( 1954).
Em 1962 conhece o trabalho do quarteto do então jovem César Camargo Mariano e o convida a formar um grupo que segure 160 bailes marcados já no decorrer daquele ano. Assim nasceu “ Três Américas”, com vida rica em experiências para Mariano de 3 anos.
De volta à Itália, continuou seu trabalho na tv com filmes como Grazie Nonna, um trash cult para os italianos.

O brega Festival de Sanremo, na cidade italiana de mesmo nome, em sua edição de 1975 também viu o ar da graça do maestro, comandando o derramar de glicose num ponto crítico do evento, sem grandes nomes nem dinheiro. Azar o dele realmente, que viu seu posto ser abocanhado por Riccardo Vantellini no ano seguinte, com Peppino di Capri ganhando em primeiro, pela segunda vez, e estrelas como Rita Pavone e Suzy Quatro dando canjas. Quem viu pela rede Bandeirantes, chorou de vergonha, e rapidamente trocou o canal para assistir ao Globo de Ouro. Não era fácil aceitar os fatos: um festival que debutou promovendo a canção legítima italiana em 1950, na mistura de euforia e desalento do pós-guerra, estrear com Edith Piaf e Rita Hayworth vir se arrastando em plena adolescência. Em 2004 continuava totalmente desfigurado, com algo como Gipsy Kings. É melhor parar por aqui.
Enrico morreu jovem e de maneira dramática, aos 54 anos, em 1948, em Roma. Esse dramática fica para uma próxima edição.

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